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Empresário analisando campanhas de Google Ads com apoio de inteligência artificial, enquanto painéis mostram automação, métricas, públicos, palavras-chave e decisões estratégicas
21 de julho de 2026 · por Sandra Ruiz

Google Ads com inteligência artificial: o empresário terá menos controle sobre as campanhas?

O Google Ads está cada vez mais automatizado, mas isso não elimina a necessidade de estratégia e acompanhamento. Entenda como a inteligência artificial influencia anúncios, públicos, palavras-chave e investimentos das empresas.

A inteligência artificial está assumindo uma parte cada vez maior das decisões dentro do Google Ads. A promessa é encontrar clientes com mais eficiência, mas a mudança também preocupa empresários que querem saber onde o dinheiro está sendo investido e quais resultados realmente estão sendo gerados.

Durante anos, anunciar no Google significava escolher palavras-chave, escrever anúncios, definir lances e acompanhar quais pesquisas ativavam cada campanha.

Essas tarefas continuam existindo, mas uma parte crescente do trabalho passou a ser realizada automaticamente pela plataforma.

O Google Ads utiliza inteligência artificial para definir lances, identificar novas pesquisas, combinar anúncios, selecionar páginas do site e encontrar pessoas com maior probabilidade de realizar uma ação.

Diante dessa transformação, algumas perguntas começaram a aparecer entre empresários:

  • O Google Ads está ficando totalmente automático?

  • A inteligência artificial pode gastar o orçamento sem controle?

  • Ainda é necessário escolher palavras-chave?

  • O profissional de tráfego continuará sendo importante?

  • Campanhas automáticas trazem resultados melhores?

  • Como saber onde os anúncios estão aparecendo?

A resposta é que a automação pode melhorar o alcance e reduzir tarefas operacionais, mas não substitui o planejamento, a análise e o controle financeiro da empresa.

O que é o AI Max do Google Ads?

O AI Max é um conjunto de recursos de inteligência artificial criado para campanhas de pesquisa do Google.

Ele funciona como uma camada de otimização que pode ampliar a forma como a campanha encontra usuários e apresenta anúncios.

Entre os principais recursos estão:

  • Ampliação das pesquisas que podem ativar os anúncios;

  • Criação e adaptação de títulos e descrições;

  • Seleção automática de páginas do site;

  • Ajustes na mensagem conforme a intenção do usuário;

  • Controles relacionados a marcas e localização;

  • Relatórios sobre pesquisas, anúncios e páginas utilizadas.

Segundo a documentação oficial, o AI Max utiliza sinais em tempo real para ajustar a segmentação e a apresentação dos anúncios. O objetivo é alcançar pesquisas relevantes mesmo quando elas não correspondem exatamente às palavras-chave cadastradas pelo anunciante.

Na prática, a empresa fornece informações, anúncios, páginas e objetivos, enquanto o sistema procura novas oportunidades dentro das regras configuradas.

O Google deixará de usar palavras-chave?

As palavras-chave não desapareceram, mas deixaram de ser o único elemento utilizado para encontrar clientes.

Com o AI Max, o Google pode analisar:

  • Palavras-chave existentes;

  • Conteúdo do site;

  • Textos dos anúncios;

  • Histórico da campanha;

  • Intenção da pesquisa;

  • Objetivos de conversão;

  • Localização e outros sinais disponíveis.

Isso permite que o anúncio apareça para pesquisas que não foram cadastradas exatamente pelo gestor.

Uma empresa que anuncia “criação de site empresarial”, por exemplo, também pode alcançar alguém que pesquisa:

“Preciso melhorar a presença digital da minha empresa.”

A pesquisa não utiliza as mesmas palavras, mas pode demonstrar uma intenção relacionada ao serviço.

O Google afirma que o recurso de correspondência de termos pode utilizar palavras-chave, anúncios e páginas do site para identificar novas pesquisas relevantes.

Essa ampliação pode gerar oportunidades, mas também exige acompanhamento.

Nem toda pesquisa parecida representa um cliente adequado.

A inteligência artificial pode criar os anúncios?

O Google Ads já consegue gerar ou adaptar títulos e descrições com base nos anúncios, nas palavras-chave e nas páginas do site.

O recurso é chamado de personalização de texto e faz parte do AI Max.

A ferramenta pode criar novas combinações para tornar o anúncio mais relacionado à pesquisa realizada pelo usuário.

Isso não significa que o empresário deva deixar toda a comunicação nas mãos da plataforma.

Se o site apresenta informações genéricas, desatualizadas ou confusas, a inteligência artificial utilizará esse material como referência.

Uma empresa que não explica corretamente seus serviços pode acabar exibindo anúncios pouco claros.

Também podem surgir mensagens que não representam o posicionamento comercial, os limites da oferta ou a linguagem da marca.

Por esse motivo, os anúncios gerados automaticamente precisam ser acompanhados.

A empresa continua responsável por garantir que a comunicação seja verdadeira, coerente e compatível com o serviço oferecido.

O Google também pode escolher a página para onde o cliente será enviado?

Sim.

O recurso conhecido como expansão de URL final permite que o Google selecione outra página do site quando entender que ela é mais adequada para a pesquisa do usuário.

Em vez de enviar todos os visitantes para a mesma página, o sistema pode direcionar cada pessoa para um conteúdo diferente.

Uma empresa pode anunciar serviços de marketing digital e possuir páginas específicas sobre:

  • Tráfego pago;

  • Desenvolvimento de sites;

  • Automação de atendimento;

  • Produção de conteúdo;

  • Gestão de redes sociais.

Quando alguém pesquisa sobre criação de sites, a inteligência artificial pode escolher a página correspondente, mesmo que outra página tenha sido inicialmente cadastrada na campanha.

O recurso pode aumentar a relevância da experiência, mas depende da qualidade do site.

O Google informa que o AI Max pode combinar expansão de URL, personalização de textos e ampliação das pesquisas para aproximar o anúncio da intenção do usuário.

Se o site possui páginas antigas, incompletas ou que não deveriam receber tráfego, será necessário aplicar controles e exclusões.

As campanhas automáticas significam menos controle?

Elas representam uma mudança no tipo de controle.

Antes, grande parte do trabalho estava concentrada na escolha manual de palavras-chave, lances e combinações de anúncios.

Com a inteligência artificial, o controle passa a depender mais de:

  • Definição dos objetivos;

  • Qualidade das informações fornecidas;

  • Configuração das conversões;

  • Seleção das páginas permitidas;

  • Limites de orçamento;

  • Exclusões de termos e marcas;

  • Localização do público;

  • Monitoramento dos relatórios;

  • Avaliação da qualidade dos leads.

O Google disponibiliza relatórios de termos de pesquisa, palavras-chave, recursos dos anúncios e páginas de destino para acompanhar o desempenho do AI Max.

Também existem controles relacionados a marcas, áreas geográficas, mensagens e páginas utilizadas.

Em 2026, o Google ampliou globalmente o acesso a diretrizes de texto para campanhas com AI Max. Essas regras permitem restringir determinados termos e orientar a criação automática de mensagens para manter padrões da marca.

Portanto, a automação não significa necessariamente ausência de controle.

O problema aparece quando a campanha é ativada e ninguém acompanha o que o sistema está fazendo.

O que muda nas campanhas a partir de setembro de 2026?

O Google anunciou que campanhas que utilizam recursos antigos, como ativos criados automaticamente e correspondência ampla configurada no nível da campanha, começarão a ser atualizadas automaticamente para o AI Max a partir de setembro de 2026.

A migração automática dos antigos anúncios dinâmicos de pesquisa, conhecidos como DSA, foi adiada e deverá começar em fevereiro de 2027.

Para o empresário, essa mudança reforça a necessidade de revisar as campanhas antes das atualizações.

É importante verificar:

  • Quais recursos automáticos já estão ativos;

  • Quais páginas do site podem ser utilizadas;

  • Se os anúncios representam corretamente a empresa;

  • Se as conversões estão sendo medidas;

  • Quais termos estão gerando acessos;

  • Se os contatos recebidos possuem qualidade;

  • Se existem exclusões necessárias.

Ignorar a atualização pode fazer com que a empresa descubra as mudanças apenas depois de perceber alterações no desempenho.

Campanhas automáticas trazem resultados melhores?

Elas podem trazer, mas não existe garantia.

Segundo dados divulgados pelo próprio Google, campanhas que utilizam o conjunto completo de recursos do AI Max apresentaram, em média, 7% mais conversões ou valor de conversão com custo por aquisição ou retorno sobre investimento semelhante, quando comparadas ao uso isolado da correspondência de termos.

Esse resultado representa uma média apresentada pela plataforma, não uma promessa para todas as empresas.

O desempenho depende de fatores como:

  • Mercado;

  • Concorrência;

  • Orçamento;

  • Região atendida;

  • Qualidade do site;

  • Oferta;

  • Histórico da conta;

  • Configuração das conversões;

  • Capacidade de atendimento;

  • Processo comercial.

Uma ferramenta avançada não corrige automaticamente uma oferta que não desperta interesse.

Também não resolve uma página lenta, um preço incompatível com o mercado ou um atendimento que demora horas para responder.

A inteligência artificial consegue saber quais contatos viram clientes?

Somente quando a empresa fornece informações adequadas.

O Google Ads pode otimizar campanhas com base em ações como:

  • Envio de formulário;

  • Ligação;

  • Compra;

  • Cadastro;

  • Agendamento;

  • Clique no WhatsApp;

  • Visita a uma página específica.

Mas nem toda ação representa uma venda.

Uma campanha pode gerar muitos cliques no WhatsApp e poucos clientes reais.

Se o sistema recebe apenas a informação de que houve um clique, ele tende a procurar mais pessoas com probabilidade de clicar — não necessariamente pessoas com maior chance de comprar.

Para melhorar a automação, a empresa precisa conectar marketing e vendas.

Isso pode incluir o registro de contatos no CRM, a identificação de leads qualificados e o envio de informações sobre negociações concluídas.

Sem esse acompanhamento, a campanha pode parecer bem-sucedida dentro do painel enquanto o caixa da empresa apresenta outra realidade.

O orçamento pode ser gasto automaticamente?

O Google Ads utiliza o orçamento definido pelo anunciante, mas a distribuição pode variar ao longo dos dias conforme as oportunidades identificadas pela plataforma.

Por isso, o empresário precisa acompanhar mais do que o valor total investido.

É necessário avaliar:

  • Quanto custa cada contato;

  • Quantos contatos possuem perfil adequado;

  • Quantas propostas foram enviadas;

  • Quantas vendas foram concluídas;

  • Qual foi o valor gerado;

  • Quais campanhas consomem mais orçamento;

  • Quais pesquisas atraem pessoas sem interesse comercial.

Automação não significa que a campanha possa funcionar sem supervisão.

Quanto maior a liberdade dada ao sistema, maior deve ser a qualidade do acompanhamento.

Os anúncios também podem aparecer nas respostas com inteligência artificial?

O Google já permite que anúncios de campanhas de Pesquisa, Shopping e Performance Max sejam considerados para exibição dentro das AI Overviews, desde que sejam elegíveis, ganhem o leilão e sejam relevantes para a pesquisa e para a resposta apresentada.

Isso mostra que a publicidade também está acompanhando a transformação das buscas.

As pessoas estão fazendo perguntas mais longas, detalhadas e conversacionais.

Em vez de pesquisar apenas “software de gestão”, um empresário pode perguntar:

“Qual sistema ajuda uma pequena empresa a organizar clientes, propostas e cobranças?”

As campanhas precisam estar preparadas para compreender intenções mais complexas.

O Google também anunciou testes de novos formatos publicitários criados com o Gemini para as experiências de pesquisa com inteligência artificial.

O profissional de tráfego ainda será necessário?

A inteligência artificial reduz algumas tarefas manuais, mas aumenta a importância das decisões estratégicas.

O trabalho deixa de estar concentrado apenas em apertar botões e passa a exigir:

  • Interpretação de dados;

  • Conhecimento do negócio;

  • Planejamento de orçamento;

  • Avaliação de ofertas;

  • Organização das conversões;

  • Análise dos contatos recebidos;

  • Integração com o processo comercial;

  • Controle da comunicação;

  • Revisão das decisões automáticas.

A plataforma conhece os dados da campanha.

Ela não conhece, sozinha, toda a realidade da empresa.

Não sabe que determinado serviço possui pouca margem de lucro, que uma região não pode ser atendida ou que a equipe está recebendo contatos sem capacidade financeira para contratar.

Essas informações precisam ser transformadas em configurações, exclusões, metas e decisões.

O maior risco não é a inteligência artificial

O maior risco é acreditar que a automação elimina a necessidade de gestão.

Depois de mais de 25 anos trabalhando com negócios e marketing, observo que muitas campanhas não fracassam por falta de tecnologia.

Elas fracassam porque a empresa:

  • Não acompanha os contatos;

  • Não registra as vendas;

  • Não sabe quais serviços geram lucro;

  • Demora para responder;

  • Mantém páginas desatualizadas;

  • Não diferencia clique, lead e cliente;

  • Analisa apenas as métricas apresentadas pela plataforma.

Uma campanha pode mostrar aumento de conversões e, ainda assim, não produzir vendas suficientes.

O empresário precisa comparar o painel de anúncios com a realidade comercial.

Como usar a automação sem perder o controle?

Antes de ampliar os recursos de inteligência artificial, a empresa deve organizar quatro áreas.

Objetivo

A campanha precisa ter uma finalidade clara.

Gerar visitas, receber contatos, vender produtos e agendar reuniões são objetivos diferentes.

Medição

As conversões devem representar ações importantes para o negócio, não apenas cliques fáceis de acumular.

Site

As páginas precisam explicar os serviços, funcionar bem no celular e conduzir o visitante para uma ação.

Processo comercial

A equipe deve registrar, responder e acompanhar os leads recebidos.

Quando essas áreas estão organizadas, a inteligência artificial recebe informações melhores para trabalhar.

Quando estão desorganizadas, a automação pode aumentar o volume sem aumentar a qualidade.

Mais automação exige mais estratégia

O Google Ads continuará utilizando inteligência artificial para interpretar buscas, criar anúncios, ajustar lances e encontrar novas oportunidades.

A tendência não é de retorno a uma operação totalmente manual.

Isso não significa que o empresário perdeu o controle.

Significa que o controle deixou de depender apenas da escolha de palavras-chave e passou a exigir uma visão mais completa do negócio.

A empresa precisa saber o que deseja vender, quanto pode investir, qual cliente procura e como avaliar o retorno.

A inteligência artificial pode decidir como buscar oportunidades. Mas a empresa ainda precisa decidir quais oportunidades realmente valem a pena.

Sandra Ruiz — Estrategista Digital | Especialista em Marketing B2B, Posicionamento e Crescimento de Negócios

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